Como definir o que é criatividade? Não há uma única resposta. Para Thiago Gringon, Coordenador da Pós-Graduação em Criatividade e Inovações Ecossistêmicas da ESPM | Panamericana, a graça está justamente na busca por esse significado. Essa busca, segundo ele, é profundamente individual e se confunde com a própria vida, ainda que não se resuma a ela.
Habilidade, inteligência e economia
Gringon explica que, dependendo da lente pela qual se observa, a criatividade transita por caminhos distintos. Ele parte de três perspectivas:
- A área do design e das artes, que enxerga a criatividade como uma habilidade. “É como se eu olhasse para a obra, para o que está sendo criado.” Nesse sentido, surge a ideia de produção e de pôr a mão na massa. “Essa habilidade vai trazer essa coisa que eu preciso treinar, dedicar tempo e energia. A criatividade tem bastante disso”, afirma.
- A neurociência que, de acordo com o Coordenador, “olha a criatividade como uma inteligência, uma função executiva”. A partir dessa ideia, uma pessoa criativa analisa o contexto para resolver problemas, independentemente das ferramentas disponíveis. A famosa “gambiarra” muitas vezes é fruto da mente criativa – a pessoa usa o que tem para buscar uma solução.
- A economia criativa, que olha a criatividade como insumo e recurso para produzir renda, especialmente nos segmentos culturais, artísticos e empreendedores.
Todo mundo é criativo
A criatividade é atributo de todo ser humano. “Nascemos pessoas criadoras e nos tornamos pessoas criativas”, enfatiza Gringon. Ele exemplifica com a imagem de uma criança que pega um giz e rabisca a parede. “Ela está intervindo no mundo”, observa. O fato é que, conforme cresce, o indivíduo deixa de lado a espontaneidade criativa para dar conta de suas obrigações sociais e se afasta desse lugar.
“Em algum momento você começa a se preocupar mais com que os outros pensam, se preocupa mais com seu boleto”, pondera. “Você vai se afastando desse lugar da habilidade criativa, da inteligência criativa e, de certa forma, se transforma em um adulto com pouca criatividade.”
A criatividade pode ser desenvolvida
Uma pessoa pouco criativa participa pouco do mundo, enquanto alguém criativo participa bastante, criando coisas que antes ninguém criava, pesquisando o que antes ninguém pesquisava. “O processo criativo é grandão. É você com o mundo”, afirma o professor, apontando a relação disso com a maneira como a pessoa percebe e compreende o mundo e se manifesta nele.
O que pode transformar alguém em um ser mais criativo é a consciência de que é possível desenvolver a criatividade. “O grande segredo é você ganhar consciência sobre o seu processo criativo, e [entender] como reage a cada processo de criação.”
A sugestão de Gringon é que isso se torne uma prática reflexiva, e que as pessoas façam um diário para registrar seus gatilhos de inspiração, anotando o que aconteceu, com quem conversaram, o que viram. Às vezes a simples observação da natureza pode trazer o insight que faltava para a resolução de um problema, ou a criação de uma obra de arte.
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