A base do fazer artístico tem algumas habilidades clássicas que todo artista precisa dominar: o desenho, a pintura e a escultura. As artes plásticas ou visuais (como são comumente chamadas hoje em dia) são a materialização de uma ideia por meio dessas técnicas.
“O artista é uma pessoa geralmente curiosa e, através da sua criatividade, quer materializar os seus assuntos”, diz Juliana Brandão, Professora do curso de Artes Plásticas da ESPM Panamericana. Esses “assuntos” podem ser o cotidiano, as vivências pessoais, as memórias, as angústias ou questões que estão acontecendo no mundo. A obra Guernica, a mais famosa de Pablo Picasso, por exemplo, retrata o bombardeio da cidade espanhola de Guernica pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.
Há artistas mais autobiográficos e outros mais ativistas, que usam a arte para tratar de causas sociais, ambientais ou políticas. No cenário contemporâneo, onde tudo é aceito, o grande diferencial de um artista acaba sendo a originalidade da sua ideia.
O que é classificado como arte?
Essa abertura do campo levanta uma questão a respeito do que pode ser considerado arte. O grafite, por exemplo, é arte. Brandão cita Os Gêmeos como personagens dessa travessia: “Eles saíram da rua para o museu e vice-versa”. “Acho muito legal isso no contemporâneo, porque essas barreiras são atravessadas e você considera muitos trabalhos como arte”, afirma Brandão.
Qual é o limite entre um hobby ou experimentação e a arte reconhecida?
Para responder essa questão, a professora cita o texto de introdução do livro História da Arte, de Ernst H. Gombrich. “Não prejudica ninguém chamar a todas essas atividades arte, desde que conservemos em mente que tal palavra pode significar coisas muito diferentes, em tempos e lugares diferentes, e que Arte com A maiúsculo não existe”, escreveu o autor.
Essa visão inclusiva descortina a realidade de que seria preconceituoso e errado excluir artistas populares, com sabedorias ancestrais, como os ceramistas marajoaras, os artistas naïf ou os artesãos do Vale do Jequitinhonha. Muitos deles, com trajetórias autodidatas, já participaram de eventos como a Bienal de Veneza – Cícero Alves do Santos, mais conhecido como Véio, expôs em uma mostra paralela na 55a edição da mostra italiana –, provando que o talento e o reconhecimento não dependem exclusivamente de uma formação acadêmica, embora essa formação, como a oferecida em um curso como o da Panamericana, forneça as ferramentas para quem busca esse caminho.
A importância da arte
Para a professora da ESPM Panamericana, a importância da arte vai muito além da formação de artistas. “Ela deveria estar presente na vida de todas as pessoas”, avalia Brandão. A arte ajuda a formar pessoas mais empáticas, pois exige que o indivíduo se abra para receber a mensagem do outro sem julgamento. “É mais importante você pesquisar porque não gosta de uma obra de arte, do que porque você gosta”, ensina, citando novamente Gombrich. Além disso, a arte muda o olhar. Ao estudar luz e sombra, os alunos passam a ser mais atentos e observadores e a ver o mundo, que valoriza a produtividade e a pressa, de outra forma.
As múltiplas técnicas da arte contemporânea
Além das técnicas tradicionais, há a colagem, a assemblagem (como os trabalhos de Vik Muniz), a aquarela, a fotografia, o vídeo e as novas tecnologias. De acordo com Brandão, em sala de aula alguns alunos já recorrem à tecnologia para fazer estudos de cor e composição antes de aplicá-los na tela. Apesar disso, ela ressalta que a pintura não morreu. Nas feiras de arte, as pessoas ainda querem comprar algo físico para levar para casa. O que se vê é uma complementaridade, com artistas transitando entre o tradicional e o digital, como a celebrada artista chinesa Cao Fei, que já expôs no Brasil e trabalha com vídeo e realidade virtual.
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