Nossos Cursos

Entenda o que é storytelling

Publicado em 24 de março, 2026
Entenda o que é storytelling

Professor explica como é arte de narrar uma história e prender a atenção do público

Storytelling é uma forma de conduzir uma história. Com essa definição, o cineasta Henrique Hennies, professor de storytelling no curso de Animação da Panamericana Escola de Arte e Design, que faz parte do Grupo ESPM, explica o que é storytelling e empiricamente justifica porque é comum as pessoas ficarem muito entretidas assistindo a um filme, uma propaganda ou até mesmo vendo um reel. Elas foram fisgadas pelo storyteller, que soube contar uma história muito bem.

Narrar uma história pode ser desde escrever um vídeo corporativo de cinco minutos a um roteiro de cinema de duas horas, passando por animações, documentários e vídeos de redes sociais. “A gente pode trazer essa história do micro ao macro”, explica. O diferencial é como conduzir a contação da história para entreter e, principalmente, prender a atenção do outro até o fim. “É sobre como a gente cria ritmo para a história e constrói uma narrativa em cima dela. Como a gente cativa o espectador, conduz ele pela mão e entrega o que a gente quer entregar nos momentos certos”, explica Hennies.

Como fazer storytelling

Por trás da mágica de prender a atenção existe técnica – muita técnica. O professor explica que toda história tem começo, meio e fim, e a partir disso estudiosos foram desdobrando essa tríade em atos e etapas. O roteirista Syd Field, por exemplo, consagrou o modelo dos três atos. Nos 25 ou 30 minutos iniciais de um filme, o primeiro ato apresenta o personagem, o mundo em que ele vive e o conflito que vai enfrentar. No segundo, que pode durar uma hora, vem o confronto. O protagonista enfrenta obstáculos e percorre um caminho para alcançar o que busca. No terceiro ato, por volta da meia hora final, vem a resolução.

Robert McKee, professor de escrita criativa e nome pesado da teoria do roteiro, prefere dividir a jornada em cinco atos:

  • Exposição
  • Ação crescente
  • Clímax
  • Ação decrescente
  • Resolução

Na exposição, somos apresentados ao mundo do herói e às regras desse universo. Em algum momento, surge um incidente excitante que tira o personagem da zona de conforto e o chama para a aventura. A partir daí a ação crescente mostra a luta pelo objetivo até o clímax, ponto alto da história. Depois vem a ação decrescente, quando o herói desiste ou perde forças, e finalmente a resolução. “Em Star Wars, a ação decrescente é o Luke Skywalker tendo que acreditar que consegue vencer o Darth Vader”, exemplifica.

A infalível Jornada do Herói

Por fim, existe a famosa Jornada do Herói, estrutura de 12 etapas que o escritor e mitólogo Joseph Campbell identificou nos mitos gregos, e que Hollywood usou muito nos anos 1930 e 1940, e resgatou com força nos anos 1970.

As fases propostas por Campbell são:

  • O mundo comum
  • O chamado à aventura
  • A recusa do chamado
  • O encontro com o mentor
  • A travessia do primeiro limiar
  • As provas
  • Os aliados e os inimigos
  • A aproximação da caverna secreta
  • A provação
  • A recompensa
  • O caminho de volta
  • A ressurreição
  • O retorno com o elixir

Basta lembrar dos filmes das franquias Star Wars e Matrix para identificar essas etapas. Independentemente do modelo, todos apontam para o mesmo objetivo, que é organizar a narrativa para que o espectador seja levado por altos e baixos, sem perder o interesse e o fio da meada.

Storytelling como elemento de branding

De maneira geral, o espectador comum não percebe que foi fisgado pelo storyteller. “O espectador médio reconhece 20% da narrativa que está sendo exposta”, afirma Hennies. “Ele sai do filme falando de duas coisas: dos atores e da história”. Os 80% restantes – figurinos, cores, montagem, cenário e som – ele não percebe conscientemente, embora tudo tenha sido pensado para atingi-lo no subconsciente. Todos os elementos que aparecem em um produto audiovisual têm um sentido, um motivo, uma razão de estar ali. Por meio do storytelling é possível evocar emoções de forma consciente no espectador.

É por isso que o storytelling interessa a quem quer vender algo, seja um produto, uma ideia ou uma marca. Nike e Red Bull são citadas como exemplos de narrativa bem-feita, porque recorrem ao storytelling para contar histórias de atletas e modalidades esportivas que patrocinam. Um reel com a chamada “Você não vai acreditar no que aconteceu” também é uma técnica simples de storytelling. Se é boa ou ruim, isso é questionável, mas cumpre o papel de prender a atenção do espectador. Storytelling, portanto, é a arquitetura invisível que sustenta qualquer narrativa. Quanto mais se entende como ela funciona, mais é possível perceber que não existe história despretensiosa.