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Como ser criativo? 11 dicas para resgatar sua criatividade

Resgatar a capacidade de desenhar, não ter medo de crítica e experimentar o desconhecido são alguns conselhos de professor da Panamericana
Publicado em 24 de março, 2026
Como ser criativo? 11 dicas para resgatar sua criatividade

Resgatar a capacidade de desenhar, não ter medo de crítica e experimentar o desconhecido são alguns conselhos de professor da Panamericana

Como ser criativo? Essa é uma pergunta que muitas pessoas se fazem diante de um mundo que demanda inovação, diferenciação e novidade o tempo todo. A resposta, de certa forma, não é tão complicada quando se parte do princípio de que todas as pessoas são criativas e isso não é um dom reservado a gênios.

“A gente nasce criativo, mas é ceifado na infância”, explica o fotógrafo Cassiano Mendes, professor dos cursos de Artes Plásticas e Fotografia Aplicada da Panamericana Escola de Arte e Design, que faz parte do Grupo ESPM. A maioria das crianças bloqueia a criatividade para cumprir com suas obrigações escolares, enquanto algumas continuam criativas. Apesar dessa limitação auto imposta inconscientemente, é possível resgatar essa capacidade.

O primeiro passo é desconstruir mitos. “Existem os mitos do ser criativo. O principal deles é a figura do gênio solitário, representada por nomes como Picasso”, explica Mendes. “Picasso é considerado um gênio criativo, mas se a gente for ver o que ele faz, como ele trabalha e o que ele fala sobre o trabalho, está muito longe da genialidade do mito. É uma coisa muito do trabalhar e descobrir com o próprio trabalho modos de fazer diferente.”

Desconstruído o mito, fica mais fácil entender que a criatividade pode – e deve – ser desenvolvida, especialmente porque ser criativo é solucionar problemas com outra roupagem. Para te ajudar a colocar a criatividade em prática, o professor separou 11 dicas. Confira:

1. Resgate sua capacidade de desenhar

O desenho é uma das primeiras expressões do indivíduo quando criança, e, conforme cresce, ele vai deixando de desenhar. A dica de Mendes é desenhar sem se censurar. Desenhe qualquer coisa, “seja um palitinho, um quadradinho. A gente parou de perceber a fluidez da linguagem na nossa mão”. O ato de desenhar, de colocar a mão no papel, resgata algo que o digital apagou: a experiência do corpo. A defesa do analógico não é uma rejeição à tecnologia, mas uma busca pelo equilíbrio. “A experiência analógica é corpórea. O digital é uma experiência muito intelectual, muito da percepção visual. Quando a gente distancia da experiência do corpo, da mão, do cheiro do papel, a gente perde um pouco da experiência da vida. E criação é vida.”

2. Alimente seu repertório com coisas criativas

É comum nas aulas de Mendes os alunos serem provocados com a seguinte pergunta: “Qual foi a coisa mais criativa que você viu ontem?”. A dificuldade de responder a esse questionamento revela que as pessoas não estão diversificando o que consomem de informação e referências. Um caminho é criar um perfil nas redes sociais para seguir pessoas e portais variados para o algoritmo entregar essa diversidade no feed.

3. Não tenha medo da crítica

“O grande vilão da criatividade é o que o outro vai achar do que eu fiz. É o medo da crítica, o medo de as pessoas não gostarem”, afirma Mendes. Esse medo se manifesta em escolhas cotidianas como, por exemplo, a roupa que você usa. ” Às vezes você ama uma coisa um pouquinho mais extravagante, mas aí já vem o medo. Você reprime uma vontade de experimentar um look diferente. Essas testagens no dia a dia vão tolhendo a criatividade.”

4. Experimente o desconhecido

O local da criatividade é o local do inseguro, é o lugar do desconhecido. Portanto, é importante você fazer coisas que nunca fez. Deixe o medo de lado, proponha-se a algo diferente e divirta-se. Isso vale para experiências simples: fazer uma viagem a um lugar impensado, tocar um instrumento que nunca tentou, ouvir um gênero musical completamente diferente. “Tome cuidado com só aquilo que agrada, até noções estéticas básicas como bonito e feio, certo e errado, verdade e mentira”. Afinal, ficar nesse lugar reflete a necessidade do conforto, e essa ideia se contrapõe ao entendimento de que o local da criatividade é o local do inseguro e do desconhecido.

5. Ninguém cria sozinho

“A criatividade é um pensamento de grupo”, afirma o professor, explicando que agências de publicidade e outros ambientes profissionais que precisam de ideias criativas se preocupam em criar um ambiente propício para isso. Assim, desconstrói-se o mito do gênio criador que trabalha sozinho, isolado, tendo ideias maravilhosas. “Isso não existe na prática. Só vou saber que sou criativo se eu tiver os outros. Não dá para ser criativo sozinho”. A troca, o brainstorming e a discussão são fundamentais.

6. Questione as ferramentas prontas

Ser criativo talvez não seja saber usar a ferramenta de última geração, ou algum recurso novo do Instagram ou dominar um aplicativo recém-lançado. “Talvez ser criativo seja a perspicácia de entender o contexto disso”. Mendes sugere misturar linguagens. Você pode usar IA para fazer um desenho, e fazer um prompt manuscrito primeiro, para depois escrever na plataforma. A ideia é experimentar outras coisas além do modo habitual.

7. Escute os mais velhos e olhe para o passado

Olhar para o passado e ouvir o que os mais velhos têm a dizer é importante. O professor explica que costuma perguntar aos alunos se eles acham absurdo seus avós não gostarem tanto de tecnologia e anotarem um número de telefone à mão. Perguntas desse tipo instigam reflexões que podem levar ao entendimento de que a memória, o saber de cor, sem consultar o Google, é muito importante no processo criativo. Mais uma vez o professor cita Picasso e explica que o pintor espanhol só conseguiu pintar imagens desconstruídas porque estudou os clássicos da pintura Renascentista. “Ele tentou muito, errou um monte, tentou de tudo. Errou e não desistiu”.

8. Criatividade é esforço, não só inspiração

“A criatividade é uma concentração, uma busca. É a resolução de um problema, um esforço que precisa ser rascunhado, debruçado, elaborado, pensado”, explica Mendes. Por isso, a ideia romântica da inspiração é uma ilusão, já que ninguém está inspirado o tempo todo. Em contrapartida, é possível ser criativo constantemente quando se tem um método. O professor explica que a criatividade não é um mar de rosas. O segredo está no processo gradual de desenvolvimento dessa capacidade.

9. Use seu corpo inteiro no processo

Parece estranho pensar em usar o corpo para ser criativo, mas quando se pensa no distanciamento que o digital abre das coisas reais, é fácil entender a dica de Mendes: sinta odores e aromas, a textura das páginas de um livro, de uma folha, de um tecido. Tire os fones de ouvido e ouça os sons da rua, da padaria, das pessoas na fila do caixa. Coma com atenção e perceba o tempero da comida. Tudo isso estabelece uma conexão que pode abrir portas para a criatividade.

10. Escolher também é criar

Sabemos que os algoritmos direcionam conteúdos que casam com nossos gostos. Se por um lado parece bom, por outro limita a sua liberdade de escolha e restringe a entrada de novidades. Portanto, procure sair dessa bolha teleguiada e amplie suas escolhas.

11. Vá para o mundo

“Se eu não procurar, não vou achar. Você tem que sair de casa, ir para o mundo. Vai ver as coisas. A criatividade está no mundo”. Por isso é importante conversar com as pessoas, observar tendências, prestar atenção ao seu entorno. “Eu vejo a criatividade em todas as coisas. Está muito associada ao autêntico”.

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Editor ESPM/Panamericana

O criador oficial de conteúdo da ESPM/Panamericana