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Entenda o que é economia criativa

Publicado em 8 de abril, 2026
Entenda o que é economia criativa

Professor explica o que é e como funciona esse modelo de negócios que usa o capital intelectual do indivíduo para gerar renda

A economia criativa está em muitos lugares, mas nem todo mundo sabe o que ela é. Segundo Thiago Gringon, Coordenador da Pós-graduação em Criatividade e Inovações Ecossistêmicas da Panamericana Escola de Artes e Design, membro do Grupo ESPM, a economia criativa “olha a criatividade como insumo e recurso”, estabelecendo um ciclo em que o ato de criar se movimente dentro de uma lógica econômica, produzindo renda.

Nesse tipo de negócio, a criatividade se revela como recurso intangível. “Porque eu não pego a criatividade propriamente dita”, explica Gringon. “Eu posso olhar um quadro, eu posso olhar a cultura, mas eu não pego.” Ao mesmo tempo, a criatividade é, também, um recurso exponencial: “Quanto mais eu coloco, mais eu ganho em troca”. É essa lógica que justifica que a economia criativa é um sistema em que a aplicação da criatividade não se esgota, mas se multiplica.

Potencial do indivíduo

A economia criativa trabalha com o capital intelectual das pessoas que, a partir de um olhar distinto, transformam o que já existe em um ecossistema produtivo. Esse modelo de negócio atua em um plano mais humano e cotidiano, que produz a partir do potencial do indivíduo e da comunidade.

Exemplo: uma senhorinha que faz uma compota de frutas artesanal ou uma peça de renda de bilro diferenciada pode ser encarada como alguém que trabalha com economia criativa, da mesma maneira que um grupo de teatro itinerante que se apresenta em cidades do interior.

Iniciativa privada

Não raro a economia criativa abre espaço para iniciativas privadas participarem. Gringon ressalta que essa atuação não se restringe às leis de fomento, e que existem modelos de negócio sólidos, como é o caso da Natura, que produz cosméticos com insumos da Floresta Amazônica cultivados pelas comunidades locais. Mais do que a matéria-prima, os produtos evocam e entregam um saber tradicional. A empresa entra não para extrair, mas para fomentar, gerar emprego, patrocinar. “Por isso é economia criativa”, aponta ele.

O professor cita o exemplo do K-pop e da Coreia do Sul, um país que conseguiu se tornar um polo cultural mundial a partir dessa lógica. Outro exemplo foi a presença da Coca-Cola na edição 2026 do Lollapalooza, que tinha um palco próprio, com artistas contratados, para gerar ativações além da entrega de brindes ao público. Ao fazer isso, a marca participa da cena cultural não apenas como patrocinadora, mas como agente de curadoria e fomento.

“A economia criativa sempre vai olhar para onde a cultura flui”, define Gringon. Trata-se de um recurso que se multiplica quando compartilhado, dá identidade a um país, sustenta famílias e permite que uma marca, um game designer, uma comunidade ribeirinha ou uma senhorinha participem ativamente da cultura e, com isso, do próprio mundo.

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